Passeata contra a pobreza

   

O Japão é um país rico, não há dúvida. Quem passeia pelos pontos turísticos só vê coisas bonitas, e elas são realmente bonitas. A organização, famosa no mundo inteiro, é uma verdade.

Mas existe um lado menos conhecido do que as famosas indústrias de tecnologia ou carros. São os pobres. Sim, eles também estão por aqui.

São pessoas que são obrigadas a viver com doze mil reais ou menos por ano, enquanto a média salarial por ano é mais que o dobro. Não podemos esquecer também de que Tóquio e Osaka figuram entre os custos de vida mais altos do mundo.

De um modo geral a passeata foi composta por órfãos, pessoas que possuem apenas um dos pais ou que ambos estão desempregados. São crianças a adolescentes que buscam um lugar dentro de uma das sociedades mais competitivas do mundo.

A passeata foi composta por aproximadamente 500 pessoas que "desfilaram" em Omotesanto e Shibuya, dois dos centros comerciais mais badalados de Tóquio. Gritavam slogan chamando "para que todos prestassem atenção na educação das crianças, não os privando de um futuro melhor".

A pobreza infantil cresce no Japão e tem causado muita preocupação para os governantes. Segundo dados apurados, em 1985 a taxa de pobres era de quase 11% contra 15.7% de 2009.

A manifestação foi organizada por grupos de apoios às crianças que vivem em situações de pobreza extrema. Fizeram isso para chamar atenção das autoridades para um problema não muito visível e, portanto, pouco discutido dentro da sociedade. No fundo o que querem é apenas a possibilidade de estudarem para saírem da situação atual. Não querem roupas de grifes, carros esportivos ou dinheiro para baladas.

É o jeito nipônico de buscar uma saída para o futuro.

Passeata em Shibuya e Omotesanto