O jeitinho brasileiro no futebol

   

A ótima matéria da Agência Sportlight sob a atuação ilegal do coordenador da seleção brasileira Juninho Paulista nos mostra duas realidades absolutamente verdadeiras.

A primeira, que o jornalismo sério, ético e investigativo é fundamental e cada vez mais necessário em um país onde a grande maioria das pessoas, encabeçada pelos políticos, de todas vertentes, é bom que se diga, se esforçam para denegrir o trabalho jornalístico mesmo sabendo que não há democracia duradoura sem uma imprensa forte e livre.

Lucas Figueiredo/CBF

A segunda, que o jeitinho brasileiro, com o que tem de pior nesta expressão, está presente e cada vez mais vivo no futebol. Mesmo nos altos cargos e na instituição que deveria ser o exemplo para todas as outras que fazem parte do futebol nacional.

A reportagem do brilhante jornalista Lúcio de Castro obrigou o pentacampeão do mundo em 2020 a reconhecer a imoralidade e decidir por deixar de forma definitiva a empresa que gerencia o Ituano, clube do qual Juninho Paulista já foi presidente, em uma clara incompatibilidade de funções.

E a forma como o ex-jogador se mantinha a frente da coordenação da CBF resume o pensamento de muitos de nós brasileiros. Eu sei que está errado, mas vou levar assim mesmo enquanto ninguém descobre a irregularidade. Quando alguém descobrir, no dia seguinte eu reconheço o erro e desfaço a irregularidade. E a vida segue normalmente.