MULHERES E LUZES

O grande mestre italiano Federico Fellini já trabalhava como roteirista há oito anos quando teve sua primeira chance como diretor. Na verdade, uma chance pela metade, já que Mulheres e Luzes, de 1950, foi codirigido por ele, que dividiu o trabalho com Alberto Lattuada. No entanto, é possível perceber já nesta obra de estreia algumas das características que marcariam a carreira do cineasta ao longo dos 40 anos seguintes. A começar pela história, criada por Fellini e que teve o roteiro escrito por ele próprio, junto com Lattuada e Tullio Pinelli. Tudo tem início quando a jovem Liliana (Carla Del Poggio), aspirante a estrela de teatro, procura Checco (Peppino De Filippo) para se juntar à sua trupe de artistas. Ela o seduz, para desespero de Melina (Giulietta Masina), parceira de Checco. Além disso, a presença de Liliana acaba por provocar algumas alterações na rotina do grupo. Mulheres e Luzes é um filme cheio de vida e que, apesar de conter ainda alguns elementos do neorrealismo, já deixa claro o distanciamento que os futuros trabalhos de Fellini tomariam. Porém, o carinho dele pelas personagens e seu amor pelo teatro de revista, que tem muito do circo, da mesma forma que a presença de figuras caricaturais, já estão presentes aqui. Uma curiosidade: a brasileira Vanja Orico participa cantando "Meu Limão, Meu Limoeiro”.

MULHERES E LUZES (Luci del Varietà - Itália 1950). Direção: Federico Fellini e Alberto Lattuada. Elenco: Peppino De Filippo, Carla Del Poggio, Giulietta Masina, Folco Lulli, Carlo Romano, John Kitzmiller e Vanja Orico. Duração: 97 minutos. Distribuição: Versátil.