SATYRICON DE FELLINI

Em 1969, o cineasta Federico Fellini já havia recebido sete indicações ao Oscar, seja como roteirista ou diretor. Além disso, três filmes seus haviam ganho o Oscar de melhor filme estrangeiro (A Estrada da Vida, Noites de Cabíria e 8 ½). Sem esquecer uma Palma de Ouro em Cannes por A Doce Vida. Ele podia fazer o que quisesse. E como nunca foi um artista acomodado fez Satyricon de Fellini. O nome do diretor no título do filme se justifica pelo fato de Gian Luigi Polidoro ter registrado o nome "Satyricon” antes. Baseado no livro de Petrônio, com roteiro escrito pelo próprio Fellini, junto com Bernardino Zapponi, nos apresenta a Roma antiga através dos olhos de Encolpio (Martin Potter), que disputa o amor de Gitone (Max Born), um jovem e bonito escravo, com seu amigo Ascilto (Hiram Keller). A frase do cartaz não poderia ser mais apropriada: "Roma. Antes de Cristo. Depois de Fellini”. Da mesma forma que o livro de Petrônio, encontrado faltando partes, esta obra felliniana segue o mesmo caminho com seus diálogos incompletos. A ousadia do mestre italiano se percebe na forma que encontrou para contar esta história em 25 episódios que nos levam por uma jornada de sexo e luxúria em ritmo de sonho. Exagerado e belo ao mesmo tempo, Satyricon de Fellini faz jus ao seu criador.

SATYRICON DE FELLINI (Fellini Satyricon - Itália 1969). Direção: Federico Fellini. Elenco: Martin Potter, Hiram Keller, Max Born, Salvo Randone, Mario Romagnoli, Magali Noël, Alain Cuny e Capucine. Duração: 129 minutos. Distribuição: Versátil.