TODOS A BORDO

   

Em 1995, em Washington, nos Estados Unidos, aconteceu a Million Man March, algo como "Marcha de Um Milhão de Homens”, organizada por Louis Farrakhan, líder do grupo negro americano Nação Islã. No ano seguinte, Spike Lee lançou este Todos a Bordo, um filme de estrada sobre um grupo de homens que sai de ônibus, de Los Angeles até Washington, para participar da marcha. Com roteiro de Reggie Rock Bythewood, o filme, como todo bom road movie, utiliza a viagem como um microcosmo social. Dentro daquele ônibus estão representados alguns tipos bem caracterizados e, ao longo do percurso de três dias e quase 4.300 km, muita roupa suja é lavada. Spike Lee, que pela primeira vez não participa como ator em um filme seu, conseguiu levantar financiamento independente e filmou tudo com uma câmara 16 mm em apenas três semanas. O registro do diretor faz uso de elementos do cinema documental. Além disso, os diálogos travados entre os passageiros do ônibus são de uma pertinência tão impactante que continuam valendo para os dias atuais. Questões como religião, violência urbana, família, educação, racismo, orientação sexual e mercado de trabalho estão na pauta das discussões. E lidar com tudo isso de maneira orgânica e cinematograficamente funcional, não é fácil. Mas Spike Lee tira isso de letra.

TODOS A BORDO (Get on the Bus - EUA 1996). Direção: Spike Lee. Elenco: Ossie Davis, Charles S. Dutton, Andre Braugher, Richard Belzer, Bernie Mac, Wendell Pierce, Harry Lennix, Isaiah Washington, Hill Harper, Roger Guenveur Smith, Thomas Jefferson Byrd e De’aundre Bonds. Duração 120 minutos. Distribuição: Columbia.