Crise econômica faz crescer demanda por empréstimos durante a pandemia

por Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
   

O avanço da pandemia causada pelo novo Coronavírus pelo território brasileiro é contínuo e não mais está concentrado somente nas grandes cidades, apesar dessas terem um número de casos ainda bastante elevado. Entretanto, a interiorização da proliferação da Covid-19 faz necessário o endurecimento de regras de isolamento social em regiões menos populosas, na tentativa de frear o contágio e minimizar o número de casos fatais e da saturação dos sistemas de saúde.

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A continuidade do estado de quarentena, apesar de essencial no esforço de salvar vidas, tem causado o impacto direto de arrefecimento da economia nacional. E, consequentemente, no poder aquisitivo de famílias e pequenos negócios, provocando o aumento da busca por empréstimo rápido e fácil por esses agentes.

Em abril, o nistério da Economia apresentou um pacote econômico contra a crise da Covid-19. Segundo o próprio titular da pasta, o ministro Paulo Guedes, a área de crédito é a mais problemática entre as medidas propostas no pacote. Um levantamento feito pelo Ministério da Economia a pedido do jornal Folha de São Paulo mostrou que, dos quase R$70 bilhões anunciados para as quatro linhas de apoio previstas no planejamento econômico, somente R$12,1 bilhões foram executados. Esta parcela corresponde a apenas 17% dos recursos anunciados pelo governo.

Dentre os principais fatores apontados como causa deste cenário, está a falta de disposição dos grandes bancos para concederem empréstimos a pequenas empresas. Com reduzidas garantias para o pagamento dos empréstimos, os pequenos empresários geram insegurança aos bancos, que buscam sempre a redução de riscos quando analisam pedidos de empréstimo.

Em contraposição, grandes empresas com linhas de crédito pré-aprovadas não perderam tempo e drenaram boa parte dos recursos disponíveis logo no início da crise provocada pela pandemia, como medida preventiva.

No intuito de destravar recursos a empresas menores, a equipe econômica de Paulo Guedes aposta no Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). É através desta iniciativa que o Banco do Brasil anunciou o oferecimento de R$3,7 bilhões em empréstimos para pequenas empresas.

O programa é destinado a microempreendedores individuais (MEIs) com faturamento de até R$ 81 mil, microempresas com faturamento de até R$ 360 mil e empresas de pequeno porte com faturamento de até R$ 4,8 milhões.

O Pronampe funciona como uma garantia do governo para estimular o empréstimo a instituições de pequeno porte. Os recursos são inicialmente emprestados pelos próprios bancos e têm garantia do FGO (Fundo Garantidor de Operações), um fundo público. Em caso de prejuízo, o governo cobrirá até 85% das perdas totais das carteiras do Pronampe.

Desde o anúncio, pelo menos 45 mil empresas já manifestaram interesse em contratar o crédito. O Banco do Brasil já aprovou 1,5 mil contratos, com valor médio de R$ 46 mil. Os empréstimos feitos através do Pronampe têm taxa de juros anual igual à Selic, mais 1,25 ponto percentual ao ano. Atualmente, a Selic está em 2,25% ao ano. Com isso, a taxa máxima anual seria de 3,5%. Além disso, os financiamentos têm prazo de 36 meses, com oito de carência.

Cada empresa tem a possibilidade de tomar empréstimos de até 30% da receita bruta anual registrada em 2019. Para empresas com menos de um ano de funcionamento, o limite de empréstimo será de até 50% do capital social ou até 30% da média do faturamento mensal, o que for mais vantajoso.

Não são somente as empresas de pequeno porte que têm encontrado dificuldades financeiras neste momento, mas também foi observado um aumento da demanda por empréstimos pessoais. Um levantamento feito pela fintech de crédito Lendico apontou um crescimento de 28% de pedidos de empréstimo destinados a cobrir gastos domésticos, de março até maio deste ano. Além da quantidade de pedidos por empréstimo ter crescido, também o valor médio aumentou de R$ 7.100 em 2019 para R$ 7.600 durante a pandemia.

Ainda assim, os empréstimos destinados a gastos domésticos não estão em primeiro lugar, mas em terceiro. Liderando a lista, estão os pedidos destinados ao pagamento de dívidas — contraídas anteriormente ou para pagamento de faturas de cartão de crédito —, seguidas pelos empréstimos para empreendimentos.

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