Alunos indígenas cobram da UEL pagamento do auxílio permanência

por Luís Fernando Wiltemburg - Grupo Folha
   

Os alunos indígenas da UEL (Universidade Estadual de Londrina) não receberam o auxílio moradia que deveria ter sido depositado no início do mês de julho. O valor destinado para as bolsas foi estornado pela Secretaria Estadual da Fazenda. A reclamação veio à tona em carta aberta publicada pela Artein (Articulação dos Estudantes Indígenas) da UEL, publicada nesta segunda-feira (13).

Segundo o estudante de Ciências Sociais e representante da Artein Alexandro da Silva, o benefício é concedido automaticamente a todos os indígenas aprovados no vestibular, como forma de se manter durante o curso. Atualmente, segundo a UEL, 34 alunos recebem o auxílio.

O valor pago é de R$ 900 para quem não tem filhos e de R$ 1,3 mil para quem comprovar paternidade ou maternidade. "Esses valores são importantes para nos manter na cidade, para aqueles que deixam as aldeias, que ficam longe da universidade, ou para quem precisa se locomover. Neste momento de retorno remoto às atividades, alguns se preparavam para as aulas on-line, mesmo nas aldeias, e terão de suspender os serviços”, diz.

Ainda de acordo com ele, os alunos vêm conversando com a Proaf (Pró-Reitoria de Administração e Finanças) desde o início da semana anterior, mas não haviam conseguido uma resposta considerada satisfatória, já que os auxílios não foram depositados.

A Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior informou que os auxílios são pagos com fontes de recursos livres para custeio da universidade e que, como houve corte de verbas para as instituições de ensino superior, pode não ter ocorrido o pagamento para quitar outros custos. A Secretaria Estadual da Fazenda deve se pronunciar nesta terça (14).

A assessoria de comunicação da UEL informou que a Proaf pretende empenhar novamente os recursos para fazer o pagamento dos auxílios dos estudantes indígenas no decorrer desta semana.

Ainda de acordo com o órgão, o atraso ocorreu por problemas técnicos envolvendo o Siaf (Sistema Integrado de Administração Financeira), que estornou recursos destinados a alguns pagamentos, dentre eles o da ajuda para permanência dos universitários indígenas. "A solução extraordinária prevê o repasse do montante para honrar o pagamento da bolsa indígena imediatamente”, conclui a nota oficial da UEL.

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