Moro defende isolamento de detentos como prevenção ao coronavírus

por Folhapress
   

O ministro Sergio Moro (Justiça) defendeu nesta terça-feira (31) o isolamento de detentos como medida de prevenção à pandemia do coronavírus.

José Cruz - Agência Brasil

Ele afirmou que, graças ao isolamento, não há, até o momento, registro de casos positivos de Covid-19 em unidades prisionais.

"Há um ambiente de relativa segurança para o sistema prisional em relação ao coronavírus pela própria condição dos detentos de estarem isolados da sociedade", afirmou Moro, para quem, a situação não é "muito diferente das restrições a que os cidadãos brasileiros estão sendo submetidos.

Como o jornal Folha de S.Paulo publicou nesta terça, nos bastidores, o ministro já vinha defendendo a manutenção das medidas de distanciamento social e isolamento da população no combate à pandemia, num movimento antagônico ao do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que vem reiteradamente defendendo o fim da quarentena para minimizar os efeitos econômicos do fechamento do comércio.

Com isso, o isolamento político do chefe da República aumenta diante do apoio que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já tem da cúpula do Legislativo e do Judiciário e de outros ministros, como Paulo Guedes (Economia).

Nos últimos dias, Moro deixou claro a pessoas próximas e a colegas de Esplanada a sua insatisfação com as recentes atitudes do presidente, como um passeio a pontos de comércio de Brasília no domingo (29).

As visitas no sistema prisional federal estão suspensas desde 15 de março.

Moro afirmou que não há motivo para "terror infundado" em relação ao sistema penitenciário. A contaminação de um detento em regime domiciliar em Bagé ainda está em investigação.

O ministro afirmou não haver resistência à soltura pontual de detentos em regime semi-aberto e de grupos de risco, desde que não representem riscos.

"O que tem que ter cuidado é com a soltura de detentos que possam oferecer risco à população, como o crime organizado", disse Moro.

O ministro afirmou que a Força Nacional de Segurança será utilizada na ajuda ao Ministério da Saúde em ações de agentes de saúde, escoltas de medicamentos e ações sanitárias.

Ele também afirmou que a Força Nacional está desde já pronta para uma "intervenção" maior, caso isso seja necessário.

Em entrevista ao lado de outros ministros do governo Bolsonaro, Moro também negou que haja informações sobre risco de saques por causa de desabastecimento.

"Não existe uma crise de desabastecimento, nada de concreto em relação à iminência de saques", afirmou. "Não existe motivos para receios infundados."

Sem dar mais detalhes, Moro anunciou também a prorrogação do fechamento da fronteira com a Venezuela.

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