Fiat adia lançamentos por causa da pandemia

por Folhapress
   

A Fiat estava prestes a lançar a nova geração da Fiat Strada, picape mais vendida do Brasil. O carro já estava sendo produzido em Betim (MG) e chegaria às lojas no fim de abril. Em paralelo a isso, a empresa preparava uma nova linha de produção de motores turbo, inéditos no Brasil. Tudo ficou para depois.

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Presidente da FCA Fiat Chrysler América Latina, Antonio Filosa diz que são feitas reuniões diárias para definir cada passo da empresa em meio à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. Há esperança de retomar a produção no dia 21 de abril, mas tudo dependerá de existir segurança para os 26 mil funcionários da empresa no continente sul-americano.

A parada traz prejuízo ainda não calculado e atrasos de até um ano no lançamento de novos produtos. O objetivo é suportar o período sem produção ou vendas -95% das concessionárias no Brasil estão fechadas- e manter os empregos.

"Temos um problema econômico importante, todas as indústrias têm problemas financeiros. É necessário proteger o caixa, mas esperamos que [um programa de demissão] seja o último do último dos últimos recursos possíveis", diz Filosa.

A fábrica de motores que foi construída em Betim custou R$ 500 milhões e gerou 1.200 empregos diretos e indiretos. São profissionais que passaram por 10 meses de treinamento e avaliações antes de serem contratados. Eles estão em casa agora, sequer assumiram seus postos na linha de produção.

As unidades de Minas Gerais e de Goiana (PE), que juntas produzem 3.000 carros por dia, estão sendo preparadas para abrigar centros médicos e hospitais de campanha, que serão entregues em cerca de 15 dias. Hoje, já fazem manutenção de respiradores.

Parte da estrutura será mantida. O prédio construído junto à fábrica de Goiana será entregue ao governo pernambucano e transformada em uma UPAE (Unidade Pernambucana de Atenção Especializada).

A FCA também precisa cuidar de seus revendedores. Um comitê de crise se dedica a atendê-los em reuniões diárias e buscam soluções para reduzir o impacto da crise. Canais de vendas online têm sido criados, segundo Filosa, que sabe ser essa uma forma de reduzir o prejuízo, mas distante de ser uma solução.

De acordo com dados prévios de venda, a comercialização de veículos novos no país caiu cerca de 90% nos últimos cinco dias úteis.

O atraso nos lançamentos gera perdas no médio prazo. Havia ao menos cinco lançamentos de grande potencial previstos para chegar às lojas entre 2019 e 2022. Com a pandemia, as datas estão sendo postergadas.

Filosa afirma que o plano de investimentos de R$ 16 bilhões está mantido. Contudo, a data prevista para aplicação da última parte desse aporte passou de 2024 para 2025.

O executivo prevê que a recuperação virá em 2021, compensando em parte as perdas de agora. Mas ainda não é possível prever índices de crescimento ou o real impacto do atraso nos lançamentos. Por isso, acredita que será necessário ações para preservar a indústria.

"Envolvemos uma cadeia de valor que emprega um milhão de pessoas, há 7.000 fornecedores diretos e 30 mil indiretos", calcula Filosa, que aguarda ações do governo para proteger a indústria.

"Temos visto o governo com uma agenda econômica rápida sobre o tema de prioridade número 1, que é o atendimento aos mais necessitados. São passos importantes, corretos, e agora devem começar a trabalhar também com os grandes empregadores. Pela primeira vez na história, todos têm o mesmo problema", afirma o presidente do grupo FCA na América Latina.

LANÇAMENTOS:

- Nova Fiat Strada

Lançamento seria em abril de 2020

Status: adiada, sem nova data prevista

- SUV compacto Fiat

Previsão inicial: primeiro semestre de 2021

Status: deve ser lançado no segundo semestre do ano que vem

- SUV médio Fiat

Previsão inicial: segundo semestre de 2021

Lançamento deverá ocorrer em 2022

- Fiat 500 elétrico

Previsão inicial: quarto trimestre de 2020, importado

Lançamento deve ocorrer apenas em 2021

- Novo Jeep produzido em Goiana (PE)

Previsão inicial: primeiro trimestre de 2022

Lançamento deve ocorrer entre o fim de 2022 e o início de 2023

- Motores 1.0 e 1.3 turbo flex

Deveriam chegar a carros produzidos em Betim (MG) e Goiana (PE) no segundo semestre de 2020

Agora, só devem estrear em 2021

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