Exame de DNA promete escolher melhor creme para sua pele

por Paula Roschel - Universa/Folhapress
   

O mundo começou a ter uma visão diferente sobre o exame de DNA quando foi noticiado que a atriz Angelina Jolie faria uma cirurgia de retirada e reconstrução das mamas após testes, como medida preventiva contra o câncer. Até então, o tema estava mais ligado a protocolos de descoberta da paternidade.

Reprodução/Pixabay

De lá para cá, as análises genéticas se transformaram em atividades corriqueiras para pessoas que desejam, de certa forma, prever o futuro da saúde através de códigos complexos e, para leigos, indecifráveis. Essa atividade começa também a se popularizar no terreno da beleza.

Foi então que decidi entrar na onda e fazer um teste que mostrasse um pouco mais sobre a minha pele. Achar exames genéticos é relativamente simples. Ao procurar o termo nas ferramentas de busca online, já há uma ampla oferta dos que apontam questões sobre a ancestralidade. Nesses, o resultado é um mapa que indica a porcentagem da origem do seu DNA pelo mundo, de acordo com um banco genético global.

Descobri que "ou 26% italiana, entre outras porcentagens europeias, e 5% indígena. Para identificar de onde são meus ancestrais o custo é de R$ 199, por meio de uma das plataformas. Na empresa que fiz o teste, esse tipo de serviço cresceu 700% no Brasil em 2019.

Apesar de tanta gente estar curiosa para saber mais sobre seus laços geográficos e culturais, o que eu queria mesmo entender era como esse tipo de exame poderia me auxiliar a manter a saúde e a beleza da pele. Para isso, dentro da mesma coleta, o é preciso investir um pouco mais.

No plano "standard" da plataforma, por R$ 499, consegui mapear meus ancestrais e também ter uma análise nutricional, sobre meu desempenho em atividades fitness e, claro, sobre a pele.

Descobri, na aba "skin" do site do laboratório, que tenho "sensibilidade padrão ao sol". O que isso significa? Que minha probabilidade para bronzeado é intermediária - não me bronzeio muito, mas também não fico tão morena. Ok, isso bateu com a minha realidade.

Porém, já em um subgrupo de análise, o teste me informa que tenho maior risco para fotoenvelhecimento. Então, se eu abusar do sol, provavelmente, não vai ter creme antirrugas que me ajude.

Todas essas explicações aparecem ao lado do marcador, em linguagem simples, mas aconselho levar ao dermatologista o resultado que fica disponível no site. O resultado fica pronto em um mês depois da coleta ser feita em um dos laboratórios da marca, através da saliva. Aliás, é sempre indicado ter um dermatologista para aconselhar a execução do teste.

Já me sentindo em um filme de ficção científica e uma sessão de leitura mística do futuro, descobri que tenho propensão a quadros de acne. Segundo a empresa, a baixa expressão do gene Sell indica diminuição do acúmulo de células de defesa do organismo no local da ferida, retardando a cicatrização da acne. O resultado não tem uma escala de "risco", diz apenas se ele é elevado ou padrão.

Também há informação sobre tendência a desenvolver deficiência de vitaminas associadas à saúde da pele; como D, C e E. De grande interesse do público masculino, o teste também analisa o risco de desenvolver calvície.

Mas o que a ciência acha de um teste como esse, quando realizado com indicação médica?

"Alguns dos fatores analisados nesse tipo de exame já deciframos, como profissionais da saúde, na prática diária, indicando cremes e tecnologias e observando os resultados. Em teoria, eles ajudam os dermatologistas a indicar o que é melhor para cada paciente, de acordo com o seu gene, em uma abordagem mais precisa", diz Paola Pomerantzeff, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, de São Paulo.

Testes genéticos não avaliam a pele exteriormente, mas o que seu DNA tem a dizer sobre ela. "Eles são capazes de indicar predisposições ligadas a mutações, como a maior chance de inflamações, de hipersensibilidade e de reatividade. Sendo assim, permite que se evite exposição a procedimentos mais agressivos, para pessoas mais sensíveis, como um laser invasivo", diz Claudia Marçal, médica dermatologista, de Campinas (SP).

Então, é possível pegar a análise e entender o que fazer com a pele daqui para frente? Na verdade não é bem assim.

"A limitação do exame é sempre saber que nenhuma análise clínica isolada faz um diagnóstico. O paciente então deve ser avaliado de forma global, levando em consideração o histórico pessoal, familiar, tipo de vida, idade, fototipo e queixas que ele leva ao consultório", enfatiza Claudia.

Mesmo com base científica, ele faz parte então de uma somatória de fatores, deixando o dermatologista e bons hábitos de vida ainda como essenciais para a manutenção da saúde da pele.

Onde fazer?

É possível fazer o teste qualquer laboratório de exames clínicos habilitado para oferecer exames de genética e biologia molecular.

"A análise é realizada utilizando-se várias metodologias e a importância do genótipo é encontrada em vários bancos de dados. Os mais utilizados são o PUBMED e o SNPEDIA. São bancos de acesso público, mas, em proporção, ainda há poucos dados brasileiros", diz Marcelo Sady, geneticista pós-doutorado em genética, de Botucatu (SP).

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