Jovens e adultos investem em bordado durante a quarentena

por Victória Vischi - Estagiária*
   
Heloisa Keiko

Durante a quarentena, jovens e adultos investiram em bordado como uma forma de ocupar o tempo e até para fazer uma grana extra. Heloisa Keiko, 22, mestranda em cultura e comunicação e analista de conteúdo, sempre teve interesse em aprender a bordar. Esse interesse surgiu por causa das imagens que via na internet, principalmente de bordado de bastidor, mas só na quarentena começou a aprender.

Heloisa Keiko
Primeiro bordado feito por Heloisa Keiko, aprendendo tipos de pontos

Ela conta que no começo da quarentena estava fazendo a maioria das coisas pela internet e as atividades de lazer sempre envolviam estar na frente do computador, celular ou televisão. A mestranda conta que essa rotina "estava me deixando muito cansada, desgastada, com todas essas telas e essas informações, aí eu pensei que seria legal fazer um trabalho manual, que ajuda a distrair a cabeça e também não é essa constante troca de informações o tempo inteiro”.

Heloisa Keiko
Bordados feitos por Heloisa Keiko

Heloisa viu no bordado de bastidor uma opção tanto para ficar longe das telas quanto para achar uma forma diferente de passar seu tempo. "Até as atividades de lazer me cansavam”, relata. Esse é um passatempo bem livre na sua vida, diferente das outras atividades de trabalho e estudo que possuem prazos a serem cumpridos. "Semana passada eu bordei uma vez e mês passado eu estava bordando todos os dias”, explica. O bordado é para ela uma forma de relaxamento importante, mas que não enxerga como uma atividade essencial.

Ela escolheu o bordado livre para começar por precisar apenas de linha, tecido e ser mais fácil para iniciantes aprenderem. "Pensei assim: vou começar com o mais fácil e se me interessar mais, busco outras formas de bordado”.

Também teve quem começou a comercializar seus bordados durante a quarentena. É o caso de Valéria Dantas, 22, formada em moda, e que já bordava desde criança. Ela começou a bordar por influência da mãe. "Eu sempre a via fazendo crochê, que é o que ela mais gosta de fazer, mas não tive paciência, então eu fui tentar o bordado e achei super legal”, conta.

Divulgação/Val Manualidades
Bordados feitos por Valéria Dantas

Valéria explica que o bordado sempre foi muito presente na sua vida. Isso aconteceu de forma indireta, por causa da sua mãe que sempre teve muitas coisas de bordado, e de forma direta, ligada principalmente ao curso de Moda. "Tanto que o meu trabalho de conclusão de curso foi sobre bordado, inclusive essa era minha única certeza em relação ao meu TCC, fazer algo sobre artesanato preferencialmente sobre bordado.”

Ela tinha planos de começar a vender seus bordados depois da finalização do seu TCC, mas acabou dando vida a esse projeto apenas na quarentena, com a criação do Instagram @valmanualidades. "Antes da quarentena eu estava como estagiária em um ateliê e quando começou a quarentena fui mandada embora, aí passava o dia inteiro em casa. Alguns dias bordando e vendo várias pessoas também começando a vender coisas que elas mesmas faziam na internet. Então, comecei a trabalhar melhor a ideia.”

Divulgação/Val Manualidades
Bordado feito por Valéria Dantas

Valéria conta que demorou para criar o perfil no Instagram por insegurança de que não fosse para frente devido à instabilidade financeira da quarentena. "Mas, aí eu pensei: ‘se não fosse agora quando então?’. Aí eu lancei o Instagram pensando mais em visibilidade do meu trabalho do que necessariamente vender, claro que ganhar uma graninha sempre é bom, mas eu também não fico numa super expectativa”, avalia.

Durante a quarentena, sua relação com o bordado mudou. A designer de moda conta que passou por diversas fases nesse período. Ela teve momentos em que bordava quase todos os dias, e outros que não queria nem chegar perto da agulha. "Agora acho que ainda estou na fase das ideias e de tentar me organizar melhor na divulgação dos meus trabalhos na @valmanualidades, mas acho que a principal mudança foi que eu consegui perceber que tipo de bordado eu gosto mais de fazer, o que tem mais a ver comigo e qual a identidade que eu quero que o meu bordado/marca tenha”, pontua.

*Sob supervisão de Fernanda Circhia

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