'O que não nos afeta diretamente, a gente acha que nunca chega até nós', diz psicanalista

por Larissa Ayumi Sato - Grupo Folha
   

Em meio à pandemia em decorrência da Covid-19, o mundo vive um bombardeio de informações vindas de todos os lados. Diante deste cenário de crise, é comum observar que muitas pessoas não entendem a gravidade da situação e que o momento exige colaboração de todos em diversos sentidos, seja no isolamento social ou mesmo na adoção de boas práticas de higiene.

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"Muitas pessoas acham que o que que está acontecendo não as atinge diretamente", comenta o psicanalista Sylvio do Amaral Schreiner, "porque a gente costuma ver a tragédia longe. Ela vem através das notícias - não estamos acostumados a vê-la por perto". Aqui no Brasil, apesar de haver situações pontuais, como o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), a população não está habituada a viver situações trágicas. "É algo mais pontual, não que está sempre acontecendo. Ou seja, aquilo que não nos afeta diretamente, a gente acha que nunca chega até nós. Muitos daqui de Londrina acham que é um problema na Europa essa pandemia - de São Paulo, Rio de Janeiro, no máximo -, e vão vivendo de acordo com isso, com essa descrença. Aliado a isso, existe um mecanismo de defesa mental chamado negação. A gente nega aquilo que nos assusta, aquilo que nos amedronta. Assim, na verdade, as pessoas ficam com medo - às vezes elas não têm acesso a esse sentimento, e acabam usando a negação", explica.

Por que é tão fácil acreditar em fake news? Leia na Folha de Londrina.

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