Animais domésticos não transmitem o novo coronavírus

por Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
   

Desde março, quando dois cães em Hong Kong testaram positivo para o novo coronavírus, muitos cientistas e pesquisadores levantaram diversas hipóteses sobre a capacidade de infecção de animais domésticos e, principalmente, uma possível transmissão do vírus de cães e gatos para humanos.

Reprodução/Pixabay

Apesar de descobertas interessantes de como o vírus age, nada foi comprovado e todas as infecções de animais domésticos com a Covid-19 foram considerados casos de transmissão humano-animal.

Ainda assim, a simples divulgação das pesquisas preliminares, junto com outras informações desencontradas, tem gerado alarde na população. No Brasil, houve um aumento no número de casos de abandonos de animais domésticos, principalmente de cães e gatos. A prática, além de ser extremamente danosa para os animais, é crime previsto em lei.

O abandono de animais leva a outras situações que impactam diretamente na saúde pública dos municípios, como o aumento das populações de cães e gatos nas ruas, mordidas por animais famintos, atropelamentos que resultam em acidentes de trânsito e o crescimento de outras zoonoses como raiva e leishmaniose.

Por isso, a organização não-governamental Proteção Animal Mundial, junto com o Panaftosa - Opas/OMS (Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde) formularam uma série de respostas para as dúvidas frequentes da população sobre como o vírus pode afetar os animais de estimação.

Além de tranquilizar a população, as respostas deixam claro que não há até o momento qualquer evidência científica que comprove que animais de companhia são uma fonte de infecção para humanos. Do mesmo modo, não há sinais de que cães possam ficar doentes e a suscetibilidade dos felinos a infecção está sendo investigada.

Contudo, como tudo neste "novo mundo”, é preciso fazer algumas adaptações ao estilo de vida: lave sempre as mãos antes e depois de interagir com os pets e seus pertences; passe um pano úmido nos focinhos e lave as patas com água e sabão neutro após leva-los para passear; evite contato próximo com seu animal, como, por exemplo, lambidas e beijos e, caso fique infectado, mantenha o isolamento das outras pessoas e também dos seus animais de estimação.

Pensando em outros métodos de ajudar aos animais, as instituições elaboraram uma carta aberta aos prefeitos e governadores do Brasil com alguns direcionamentos de como atuar com as populações de cães e gatos domiciliadas e errantes durante a emergência sanitária da Covid-19.

No documento, solicitam que os governos locais criem uma rede de coordenação e apoio aos animais durante o período de pandemia e que enfrentem de forma reativa e preventiva uma série de desafios impostos pelo isolamento social.

As estimativas atuais é de que existem hoje cerca de 30 milhões de animais abandonados nas ruas do Brasil. Essas espécies dependem da ajuda das pessoas, contudo, com o isolamento e a diminuição da circulação de pessoas nas ruas e com fechamento dos restaurantes e do comércio, cães e gatos estão sofrendo de fome e sede.

Além disso, há uma população de 170 mil animais sob os cuidados de ONGs (Organizações Não Governamentais), que também estão sofrendo pela falta de recursos, uma vez que, por conta da incerteza econômica, as doações estão mais escassas.

Por isso, o documento pede que governos e prefeituras comuniquem de forma clara em seus canais oficiais informações sobre a Covid-19 em animais, a fim de evitar abandono e maus tratos, que estabeleçam equipes de resposta para ajudar animais em risco, que facilitem uma rede de apoio as organizações de proteção animal e protetores independentes, para que eles consigam seguir com os trabalhos, sem interrupções.

Além disso, é necessário que o poder público, por meio dos seus órgãos de bem-estar animal, possa adquirir alimentos para cães e gatos em caráter emergencial para não deixar os canis desabastecidos neste momento de pandemia.

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