Entenda os riscos do excesso de peso em felinos

por Sílvia Haidar - Folhapress
   
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Sucesso nas redes sociais, gatos gordinhos preocupam veterinários na vida real. A obesidade em felinos pode causar doenças como diabetes, problemas digestivos, urinários e até dermatológicos, devido à dificuldade que o gatinho muito gordo tem para fazer a própria higiene.

Confinados em casas e apartamentos -o que, de fato, é mais seguro para os animais do que ter acesso à rua-, eles são impedidos de pôr em prática o instinto caçador e abater pequenas presas, como pássaros e ratos, além de subir em árvores e telhados.

A falta de atividade física e os potes de ração sempre cheios são fatores que podem levar ao ganho de peso. Mas se você está pensando que a solução é diminuir a quantidade de ração e fazer o gatinho se movimentar, saiba que não é tão fácil assim.

"O gato obeso não pode perder peso muito rápido, porque corre o risco de entrar em lipidose, que é uma hepatopatia grave e precisa de internação. Tem que fazer um cálculo de perda de peso bem gradativo", explica a veterinária especialista em felinos Lia Nasi.

O ideal é levar o bichano ao veterinário, que irá examiná-lo, fazer exames e indicar uma dieta adequada.

Acertar a alimentação também não é uma tarefa simples. "A ração seca tem muito carboidrato, que ele não precisa. O gato é uma espécie estritamente carnívora, é a única que produz o carboidrato a partir da proteína", afirma Lia.

No entanto, a ração tem complexos vitamínicos e minerais que são essenciais para a saúde do felino.

"A alimentação natural é uma opção muito legal, mas é muito difícil balanceá-la para o gato. Porque o felino, por conta desse metabolismo diferente, tem deficiência de algumas enzimas hepáticas, e essa complementação que ele precisa está presente na ração", observa.

Para a alimentação natural suprir as necessidades do gato, ela precisa ser elaborada por um especialista em nutrição felina. "Tem que ter vitaminas e nível proteico adequado. Você pode oferecer uma carne, um frango, um peixe, mas isso não substitui a ração", diz.

A veterinária afirma que o melhor alimento para gatos é a dieta úmida, como sachês e ração em pasta -que é vendida em latinha.

"A alimentação úmida costuma ter cerca de 80% de água e é a que mais se parece com a alimentação do gato na natureza, como se ele caçasse um passarinho. Ela tem um nível de carboidrato bem menor do que o da ração seca e tem mais proteína."

Sobre a quantidade de ração diária, Natália Lopes, veterinária e gerente de comunicação científica da Royal Canin, diz que o ideal é seguir a recomendação do veterinário ou a quantidade diária indicada nas embalagens dos produtos.

"Os gatos costumam fazer cerca de 18 pequenas refeições ao dia", revela Natália. Mas a quantidade pode ser servida conforme a disponibilidade do tutor.

Por exemplo, se o recomendado para o seu bichano for ingerir 60 gramas diariamente, é possível servir porções de 20 gramas três vezes ao dia.

Além de cuidar da alimentação, outra estratégia importante para fazer o gato emagrecer é aumentar a atividade física dele.

Brincar ao menos dez minutos diariamente, mesmo que esse tempo seja dividido ao longo do dia, já é um primeiro passo, diz Natália.

O enriquecimento ambiental, com arranhadores e prateleiras, para que o felino possa subir e se exercitar também é importante.

Também há no mercado comedouros especiais que dificultam o acesso do gato à ração, de modo que ele tenha que brincar com a comida ou "caçá-la" com as patinhas para que consiga comer. Essa é uma estratégica que serve tanto para aumentar a atividade física como evitar a gula por compulsão.

Para saber se o seu gatinho está acima do peso, mais uma vez, o ideal é levá-lo a uma consulta veterinária. Na clínica, o profissional irá pesá-los e fazer os exames necessários.

Mas é possível ter uma ideia apenas observando e apalpando o corpinho dele. "Se, ao observar o gato de cima, ele não tiver cintura aparente, já é um sinal de sobrepeso. Se, ao apalpá-lo, não conseguir sentir as costelas, ele está obeso", diz Natália.

No entanto, é preciso levar em conta o biotipo do animal e a raça do animal. "Estar um pouco gordinho não significa que ele não esteja saudável. É preciso avaliar para saber", ressalta Lia.

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