Cigarro é o maior vilão na causa do câncer de pulmão

por Tayguara Ribeiro - Folhapress
   

O câncer de pulmão, doença enfrentada pela apresentadora Ana Maria Braga, 70, é o segundo tipo mais comum no Brasil, atrás do de pele, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Reprodução/Pixabay

É também o primeiro tipo no mundo. A estimativa mundial é que ocorram cerca de 1,8 milhão de casos novos, todos os anos. E o grande causador é o tabagismo.

Gilberto de Castro Júnior, oncologista clínico, responsável pelo grupo de Tórax, Cabeça e Pescoço do Instituto do Câncer do Estado de SP, é enfático sobre a questão. "Por favor, parem de fumar. Sempre é tempo de parar, não importa a idade ou quantos anos fumou. O principal fator de risco é o tabagismo. Trinta mil pessoas são diagnosticadas com câncer de pulmão no Brasil, todos os anos."

Segundo ele, muitas pessoas não sabem, mas o cigarro eletrônico também não é seguro. "Produz uma série de substâncias químicas que podem também provocar o câncer de pulmão", analisa o especialista.

O oncologista explica que nos estágios iniciais a doença não apresenta sintomas, o que é um grande problema. "Quando a gente vai suspeitar, quando aparecem sintomas, é porque o tumor já está grande." Entre estes sintomas estão tosse com sangue, dor para respirar, falta de ar e perda de peso.

"A maioria dos pacientes são diagnosticados com metástase. Quando o tumor é pequeno, em fase inicial da doença, é possível operar. Quando é grande, optamos por tratamento com quimioterapia e radioterapia", afirma Gilberto de Castro. Ele conta que duas técnicas têm apresentado bons resultados. "As terapias alvos são remédios que agem especificamente nas células do tumor, fazendo que ela morra. E a imunoterapia tem o objetivo de potencializar o sistema imunológico do paciente", diz.

O dado mais recente do Inca mostra que 27.931 pessoas morreram por conta de um câncer no pulmão, somente no ano de 2017. Além do tabagismo, a exposição passiva ao tabaco, a exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, deficiência e excesso de vitamina A, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer.

Castro explica que hábitos saudáveis ajudam a prevenir o câncer, como alimentação equilibrada, pratica de exercícios físicos e cuidado com o excesso de álcool. Ele reforça que não fumar é a melhor maneira de evitar essa doença.

"Claro que alguém que fumou por um longo período ainda corre risco de desenvolver câncer de pulmão, mesmo após parar de fumar. No entanto, interromper o tabagismo é melhor do que continuar. Dá uma chance, pelo menos, do corpo tentar se recuperar."

Rastreamento pode diminuir a mortalidade

Descobrir o câncer de pulmão no estágio inicial aumenta as chances de cura. É também a fase na qual a doença costuma não apresentar sintomas. Por isso, realizar um rastreamento pode diminuir a mortalidade, diz Clarissa Mathias, presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).

"Infelizmente, os sintomas só aparecem de forma tardia", conta a especialista, que também reforça a importância de não fumar. "Cerca de 85% dos casos estão associados ao cigarro."

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o rastreamento é a aplicação de um teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e encaminhá-la para investigação e tratamento.

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