Em época de pandemia, hospitais reclamam de superlotação em pronto-socorro

por Luís Fernando Wiltemburg - Grupo Folha
   
Arquivo Folha

Hospitais de Londrina particulares ou filantrópicos, mas que atendem à rede pública de saúde direcionando parte dos leitos para o SUS, reclamam da superlotação das unidades de pronto atendimento. O volume de pacientes chega a superar em duas ou três vezes o número de leitos disponíveis.

A situação de colapso, que já é corriqueira, fica ainda mais grave em um período como o da pandemia do novo coronavírus, que, além de aumentar a demanda, acaba exigindo mais cuidados para receber pacientes.

O HE (Hospital Evangélico) de Londrina está trabalhando com uma taxa de ocupação de leitos destinados ao SUS quase duas vezes maior do que a capacidade oferecida. Segundo comunicado emitido nesta quinta-feira (13) pela entidade, a taxa média de ocupação do pronto-socorro para a rede pública de saúde foi de 188% nos últimos sete meses, alcançando picos de 239,9% - na prática, equivaleria dizer que haveria 24 pacientes para cada dez leitos SUS nessas situações extremas.

Os dados tornados públicos pelo HE evidenciariam, segundo o próprio comunicado, o subdimensionamento da rede hospitalar em Londrina e a necessidade de novas unidades de PS (pronto-socorro) e leitos disponíveis para o sistema público de saúde.

O hospital ainda informa, no documento, que já emitiu 177 ofícios comunicando a superlotação de alas neste ano, algumas delas, referente ao PS (pronto-socorro) do SUS. A entidade reclama da eficiência da regulação de vagas, que é feita pela DRS (Diretoria Regional de Saúde). "...Caso os encaminhamentos fossem mais assertivos, o fluxo de pacientes dentro da instituição seria menor”, argumenta.

O hospital também reclama que, apesar de ter contrato com o poder público de 480 internações mensais, a média mensal recebida pelo HE foi de 839 pacientes do SUS nos últimos 18 meses - no ano de 2019, a média foi de 840 pacientes por mês, 730 em 2018, 685 em 2017 e 639 em 2016. "Tal volume de atendimento reflete diretamente na sustentabilidade da instituição, já que grande parte dessas contas são reconhecidas, mas não são pagas pelo gestor público, visto o teto financeiro defasado da saúde na cidade de Londrina”, alerta o HE.

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A preocupação do Hospital Evangélico é compartilhado por outras instituições que também atendem à rede publica de saúde. Nesta quarta-feira (12), a Santa Casa de Londrina atendia no PS com lotação três vezes acima da capacidade: haviam 35 pacientes para 12 leitos pela manhã e a maioria em estado grave, sendo sete atendidos em leitos extras de UTI.

"A situação de superlotação que já é crônica no Hospital, tem se tornado rotina nas últimas semanas, por conta das medidas de precaução à Covid-19 no Hospital como um todo. Entre elas, a uso das enfermeiras com menos pacientes”, informou a assessoria de imprensa da instituição.

A reportagem pediu uma manifestação do secretário da Saúde, Felippe Machado, sobre quais medidas são tomadas para mitigar o problema. A matéria será atualizada assim que a resposta for recebida.

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