Paraná anuncia acordo com Rússia para produção de vacina contra novo coronavírus

por Everton Lopes Batista e Katna Baran - Folhapress
   
Geraldo Bubniak/AEN

O governo do Paraná deve assinar na quarta-feira (12) um acordo com a Rússia para a produção de uma vacina contra o novo coronavírus, afirmou Jorge Callado, presidente do Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) nesta terça-feira (11).

Segundo Callado, a previsão inicial é que a imunização esteja disponível no segundo semestre de 2021.

"É importante não queimar etapas, e a investigação [científica] é fundamental agora. Como o termo prevê estudos e validações, não vejo a possibilidade de atrasos", disse Callado ao canal de notícias GloboNews.

A parceria foi discutida em reunião no dia 24 de julho, em Brasília, entre o secretário da Casa Civil, Guto Silva, e o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov.

Na ocasião, o governo paranaense colocou à disposição a estrutura e técnicos Tecpar.

"Tivemos a aprovação do embaixador e agora os protocolos do acordo serão preparados pelas equipes do Paraná e da Rússia", disse o chefe da Casa Civil na ocasião.

A imunização em questão foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleya. Nesta terça (11) o presidente da Rússia Vladimir Putin anunciou que a vacina havia recebido aprovação regulatória do Ministério da Saúde do país. Esse é o primeiro registro de uma vacina contra o novo coronavírus feito no mundo.

O anúncio do governo russo gerou desconfiança na comunidade científica. Nenhum resultado dos estudos que levaram ao desenvolvimento da imunização foi publicado em periódicos especializados até o momento, prática comum no meio científico.

Vacinas podem levar anos até serem disponibilizadas à população e precisam passar por uma série de estudos em animais e em humanos para comprovar segurança e eficácia. Os testes clínicos, feitos em humanos, são divididos em três diferentes fases.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) que acompanha as mais de 160 vacinas em desenvolvimento contra a Covid-19 no mundo todo, a substância criada pelo Gamaleya ainda está na primeira fase dos testes clínicos.

De acordo com Callado, do Tecpar, é possível que uma terceira fase de testes clínicos com a vacina seja feita no Brasil. "Esperamos que os resultados sejam positivos, pois o Gamaleya é um laboratório de referência internacional", afirmou.

O governo do Paraná possui uma reserva orçamentária de R$ 200 milhões para a compra de vacinas contra a Covid-19. Metade do valor sairá do caixa da secretaria estadual da Saúde e a outra parte é resultado de um repasse da Assembleia Legislativa do Paraná.

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