Dançar traz disposição e ajuda na perda de peso

por Leonardo Volpato - Folhapress
   

Dançar faz bem ao corpo e à mente, garantem os especialistas, e as academias têm dado cada vez mais espaço à atividade. Além de mexer com o psicológico, a dança melhora o condicionamento físico e contribui com a hipertrofia (ganho de massa muscular).

Reprodução/Pixabay

É o que acontece com a modelo, atriz e bailarina Carol Cerqueira, 25 anos. A baiana, que há um mês começou a fazer dança em uma unidade da BodyTech em São Paulo, diz que já sente os benefícios.

"Eu amo o que essa arte faz. São vários tipos. São movimentos que eu amo e que me ajudam na definição muscular e na memória", diz a modelo, referindo-se à necessidade de decorar passos e movimentos.

Para a arquiteta Raquel Cotrim, 44, que há quatro anos frequenta aulas de zumba de outra unidade da mesma academia, não há nada melhor para a saúde e o bem-estar do que dançar. "É uma terapia, a terapia mais barata que eu já fiz. E ajuda na parte cardiovascular. Você sai da academia 'pingando', é ótimo."

Raquel conta, ainda, que a dança fez com que ela se enturmasse, formando um novo grupo de amigos -as aulas das quais participa têm em média 30 pessoas.

Alcione Calcagnetta, profissional de educação física da rede Just Fit, dá aulas de dança de ritmos variados: música latina, funk, axé, pop e samba. Ela diz que os passos são fáceis e os movimentos, repetitivos, para facilitar o acompanhamento.

"É para todos os públicos, homens, mulheres, terceira idade. A dança hoje é uma das atividades mais recomendadas pelos médicos. Ela proporciona maior flexibilidade, melhora o condicionamento aeróbio, aprimora a coordenação motora e contribui para a perda de peso. E ajuda no ganho de músculos, sim", destaca.

Além desses benefícios, ela garante que as aulas são divertidas. "Não tem quem não interaja."

Dança e musculação

Aliar dança e musculação é uma estratégia para evoluir nos passos. É o que afirma o profissional de educação física Rubens Murgia Filho, da Planet Sport.

"A prática da dança associada ao treinamento com pesos, com o intuito de fortalecer o sistema muscular, é ainda mais interessante, pois vai otimizar os benefícios físicos e prevenir futuras lesões."

Ele reforça que a dança pode, sim, ser considerada um exercício físico, uma vez que a coreografia consiste em uma sequência sistematizada de movimentos executados de maneira planejada e com um objetivo específico. "A dança desenvolve e aprimora o nosso sistema cardiorrespiratório, isto é, a capacidade do nosso corpo de absorver, transportar e utilizar o oxigênio."

Eterna Garota de Ipanema, a ex-modelo Helô Pinheiro, 74, não perde um dia das suas aulas de dança. E é desse jeito, com musculação, que ela diz manter a boa forma.

"Esse combo de musculação, alimentação e dança é o segredo da minha beleza. Me perguntam como eu posso estar com esse corpo. Explico que uma parte vem da genética, sim. Mas se você não faz nada e come do jeito que eu como, pode virar uma bolinha", brinca. Helô afirma, ainda, que sentiu melhoras significativas na memória.

Professora de educação física e de dança há 14 anos, Jacqueline Ruscitto desenvolveu uma modalidade que mistura passos de balé com pilates e exercícios funcionais.

"Tudo isso em coreografias possíveis de serem feitas, mesmo para quem não sabe dançar, ao ritmo de uma música bem animada. Os benefícios são aumento do tônus e da força muscular, melhora na flexibilidade e na postura e alto gasto calórico", diz ela, que é professora da academia Barre Fit.

'Como atividade social, dança traz ainda mais benefícios', diz médico

Para o psicólogo e psicanalista Ronaldo Coelho, mais do que uma atividade física, a dança estimula a interação entre as pessoas e traz sensação de pertencimento.

"Do ponto de vista físico, funciona como exercício de intensidade leve a moderada, a depender da idade da pessoa e do ritmo. Como atividade social, a dança pode proporcionar benefícios ainda maiores para a vida. Uma vez que a pessoa participa de um grupo que está aprendendo algo, isso já confere a ela um lugar social onde pode se reconhecer", afirma Coelho.

Dançar faz bem, mas é importante ressaltar que, como qualquer atividade física, a prática deve ser supervisionada. De acordo com Fernando Gomes, médico neurocirurgião e neurocientista do Hospital das Clínicas de São Paulo, cada gênero musical mexe com um dispositivo do cérebro.

"Músicas ricas em percussão ativam mais as habilidades motoras. Um exemplo são as músicas da capoeira, com atabaque, ou até mesmo o samba. Já aquelas ricas em instrumentos de corda, como o violino, podem provocar emoções mais sublimes, como a sensação de amor, de harmonia."

O médico lembra, ainda, que as memórias musicais são as mais arraigadas e, por isso, as mais resistentes ao envelhecimento e às doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

'É motivador, o cansaço acabou', conta aluna

A administradora de empresas Isabela Rossetti, 51 anos, dança há quatro anos na unidade Morumbi da academia BodyTech. Sedentária até então, hoje ela se surpreende com a própria disposição - e conta que já perdeu sete quilos.

"Eu entrei na dança depois que fui assistir a uma apresentação e fiquei apaixonada. Eu não fazia nada. Agora estou bem com meu corpo. Fazendo zumba minha saúde melhorou 100%", diz Isabela.

"Há quatro anos eu jamais sairia de casa. Para mim é motivador, acabou o sedentarismo, o cansaço, parte do meu metabolismo mudou completamente, alimentação, tudo. Sem contar as amizades que eu fiz em um ambiente bem saudável e familiar."

Quem também se encontrou na dança é o mestre de capoeira Francisco Levino, 61, que acabou se especializando em dança de rua.

Morando na Itália há 28 anos, ele passou as férias no Brasil e, nesse período, aproveitou para fazer aulas de dança em uma unidade da Smart Fit em São Paulo.

"Eu danço desde pequeno. A dança me deixa feliz, transmite amor e faz bem para todo mundo. A satisfação de dançar é muito boa, mas para mim a satisfação maior é ensinar as pessoas a terem ritmo", diz ele, que estuda danças latinas e brasileiras. "Procuro aprender novos passos na academia e ser humilde para fazer novas amizades."

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