Sucesso profissional versus amor

   

Saiu na revista "Shuukan Post" uma pesquisa com as mulheres japonesas sobre a virgindade.

Consta que 30% das japonesas com idade por volta dos trinta anos continuam virgens. Elas decidiram investir nas suas carreiras e dizem terem pouco tempo para pensarem em sexo. Várias delas fizeram mestrado e buscam fazer doutorado no exterior, o que requer muita dedicação. Colocaram a busca pelo conhecimento e pela realização profissional em primeiro plano, e alegam que relacionamentos amorosos não lhe permitiriam dedicação exclusiva em busca dos seus objetivos profissionais.

Apesar de tanto estudo, e teoricamente muita informação, elas disseram sentir vergonha de dizerem que são virgens ao grupo social que freqüentam.

Uma delas criou coragem para tocar no assunto e ao invés de ouvir conselhos ou escândalos, recebeu apoio incondicional das suas amigas.

Outra, ao completar 32 anos, se preparou para ouvir um "ainda não deu para ninguém?", e ao invés disso, recebeu elogios por colocar suas aspirações principais em primeiro lugar.

Segundo o Ministério da Saúde, 40.1% das mulheres entre 20 e 24 anos são virgens, e entre a faixa etária de 34 a 39 anos, 25.5% também. Já entre os homens com idade em torno de 20 anos, a pesquisa mostrou que 40.6% estão "intactos", o que mostra que ninguém por aqui está muito interessado em sexo.

Essa falta de vontade ou estímulo tem causado sérios problemas numa sociedade que é prioritariamente homogênea, com pouquíssimos casos onde um dos cônjuges é estrangeiro. Sem falar que a baixa natalidade tem feito a população decrescer ano após ano.

Interessante é que outra pesquisa mostra que as japonesas têm em média, suas primeiras experiências sexuais por volta dos 13.4 anos, uma das mais baixas do mundo. O que mostra um descompasso enorme entre aqueles que praticam sexo e os que adiam por outros compromissos mais importantes.

Alguns especialistas dizem que o medo de um envolvimento mais sério pode estar por trás daquelas que adiam o ato sexual, e que a busca por uma carreira profissional sólida pode ser apenas uma cortina escondendo a falta de habilidade no trato com pessoas do sexo oposto.

É conhecido que os orientais, de um modo geral, possuem alguma dificuldade em falar e mostrar seus sentimentos, o que muitas vezes é interpretado como frieza, e pode não ser verdade.

A verdade pode estar na maneira como as crianças são educadas, onde cada grupo sexual "fica na sua" e uma aproximação com algum menino ou menina pode causar o famoso "ijime", pois estariam infringindo uma regra oculta, não escrita e para lá de antiquada, do grupo a que pertencem.

De todo modo, homens e mulheres por aqui parecem que estão fugindo dos relacionamentos amorosos e até sociais, em busca ou com a desculpa de sucesso profissional.

O grande problema disso é que tudo, no final de tudo, termina num abraço ou aperto de mãos, e nenhuma carreira bem sucedida trará o calor de um afago ou de uma palavra de apoio.

Kiroro